Blog do Ivanovitch
   Meu uivo; BH, 0901001999.

Meu uivo saiu abafadamente sombrio,

De modo abafado de triste de penumbra,

Quase sem fazer ruído, sussurrante,

Como se eu estivesse, pasmado,

Na última hora fatal, à beira do portal;

Permaneci estendido ali a uivar,

Sem poder gritar e falar alto,

Como um fantasma que quer assustar;

Não fui pressentido de súbito,

Não fui descoberto no espaço;

Sofri a abafadela de qualquer estrela,

Com luz mais própria do que eu;

Era o corte na jugular a me abafar,

A fera ferida a sangrar, hemorragia

A causar a abafação do coração;

O abafamento da alma no vento

E até o abafarete da borboleta,

Pesavam toneladas em meu ser;

Era a bafadura da tampa do caixão

E escoei pelo abafadouro da sepultura,

Lugar que abafa meus gemidos,

Que sufoca meu espírito;

Todo objeto qualquer,

Que amortece os sons,

Do cadáver a se decompor,

Que conserva o calor dos vermes;

O pi pic das seitas dos fanáticos,

Que sufocavam os agonizantes,

Com lençóis e fronhas,

Ao por fim as discussões

Da vida com a morte;

A proibição de divulgar os fatos,

A rolha que fecha a saída,

Ninguém sabe o que significa;

A verdade não pode ser abafável,

Não pode ser ocultada,

Dissimulada do seu teor,

Roubada da sua veracidade. 



Escrito por Ivanovitch Medina às 18h30
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   Bem distante de ti; RJ, 0909801993.

Bem distante de ti,

É importante que eu esteja;

Bem distante de ti,

Não cabemos no mesmo barco,

Não podemos compartilhar o mesmo teto,

Não podemos conviver;

O importante é que eu esteja,

Bem distante de ti;

Qeu não me preocupe,

Que eu não me arraste,

Para o lado de ninguém,

Pois preciso ser cabeça feita;

Todo mundo viu o meu estado,

Todo mundo sentiu

A minha situação;

E eu bem sei,

Que pegou mal,

Muito mal mesmo;

E eu fiquei mal,

Mais mal do que 

O próprio mal;

Fui amador e inconsciente,

Inconveniente e despreparado;

Fiquei incontrolado,

Não soube me conter;

Fui superado,

Não soube me libertar;

Este é o preço que pago,

Não posso reclamar;

Eu que escolhi

Este sapo,

Eu tenho que engoli.



Escrito por Ivanovitch Medina às 17h58
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   Sinto-me que estou; BH, 0100901999.

Sinto-me que estou feito bagaço moído,

Reduzido à extrema penúria moral;

Abagaçado e sem caráter,

Senti o espírito moer,

O que restava do meu ser;

E senti a mente triturar,

Decair moralmente minha estrutura,

Abagaçar-me perante a sociedade;

Estou sujo e desmoralizado,

Abagaceirado pela burguesia,

Desmazelado pela elite,

Desmandado pelo governo;

Sedimentado pelo tempo,

Diminuído e sem perspectiva,

Abaixado nos propósitos,

Basta de cada semelhante,

Querer me abagaceirar;

Quero respirar em paz,

Pois estou abagado,

Qual esterco de boi;

Sinto-me um líquido,

Após o envasilhamento;

Um perdido no vento,

Um fantasma que foge,

Em noite de lua cheia;

Aquela dor de cabeça,

Que remédio nenhum cura,

E que se acaba de descobrir,

Que é um tumor malígno;

E a vida se esvai,

Feito o sopro numa pétala,

O piscar de uma pálpebra,

A reverberação de uma molécula de ar,

Na grandeza do vácuo;

Sinto no apagar da minha alegria,

O apagar da minha vida,

Um choro que vem dos recantos das sombras,

Diminuir meu sorriso,

É inútil fingir.



Escrito por Ivanovitch Medina às 17h40
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   Cartola, Sim; RJ, 1989.

Sim,
Deve haver o perdão
Para mim
Senão nem sei qual será
O meu fim

Para ter uma companheira
Até promessas fiz
Consegui um grande amor
Mas eu não fui feliz
E com raiva para os céus
Os braços levantei
Blasfemei
Hoje todos são contra mim

Todos erram neste mundo
Não há exceção
Quando voltam a realidade
Conseguem perdão
Porque é que eu Senhor
Que errei pela vez primeira
Passo tantos dissabores
E luto contra a humanidade inteira



Escrito por Ivanovitch Medina às 16h59
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   Preciso passar; BH, 01101001999.

Preciso passar por um abagamento,

Um meio de abagar o líquido,

Do qual sou sedimentado;

Estou muito gordo e inchado

E tenho que diminuir mais

O meu volume cúbico;

Tanta água em demasia,

Murcha o pé de plantação;

E não estou abaganhado,

A semente que deita casulo,

Como o linho que começa a frutescer;

Pode cortar meu tronco,

Tirar-me do solo pela raiz;

Não vou abaganhar,

Deitar bagos nos ramos,

Começar a frutificar;

Não sou o linho viçoso,

Sou o linho que não abaganhou,

Que abagou mal;

Abagoado com o defeito,

Meus bagos estão perdidos

E toda a bágoa caiu no chão;

Impossibilitado de criar,

Vi deitar por terra,

O sonho de safra boa;

Os grãos estão imprestáveis,

Não dão para abagoar,

Meus alqueires de esperança;

Pensei que era um cavalo

Puro sangue, tornei-me 

Um xucro, um pangaré 

Pé duro de difícil trato;

Abagualado e com água

Em abundância no cérebro,

Sou pessoa rude e mal

Educada; meus frutos

São esses aí: junta tudo

Para a queimada,

Nem a fumaça é boa.

 



Escrito por Ivanovitch Medina às 16h54
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   O vazio existe; RJ, 090801993.

O vazio existe,

O vácuo também;

Todo conhecimento existe,

O único que não existe,

Sou eu;

O vazio é aqui,

Bem dentro do peito;

O vácuo é aqui,

Bem dentro da cabeça;

E eu sou ali,

Bem no cantinho da parede,

Na calçada da rua;

E quando pisam em mim,

Ainda saem a xingar-me;

Saem a reclamar,

A bater com os pés,

A arrastar os pés pelo chão;

Romper o vazio é difícil,

Com o vazio se perde a luta;

Destruir este vácuo é impossível,

Não existe nenhuma explosão,

Capaz de destruir,

As paredes do vácuo;

Nem a força da gravidade,

Que é a força motriz,

Que prende bilhões à terra,

É capaz de fazer,

Eu me sentir ser;

Tenho que revirar meus olhos,

Para o outro lado da vida,

O outro lado da rua.



Escrito por Ivanovitch Medina às 16h26
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   O que me atormenta; RJ, 0110801993.

O que me atormenta,

È que não sou profissional;

Não sou um bom amante,

Nem na imaginação;

Minha libido é pouca,

Meu tesão secou,

Quase nenhum;

Nunca levei uma

Mulher ao orgasmo,

Nem mesmo a minha;

E inda não sei,

Porque ela está comigo;

Tenho que reconhecer,

Que deixo a desejar;

Nem uma ereção,

Eu consigo mostrar;

Tenho pena dela,

Gostaria de fazê-la feliz,

Gostaria de fazê-la gozar,

Como um bom amante,

Como um garanhão;

Sou um impotente,

Minha ejaculação é precoce;

Tenho medo de sexo,

Tenho medo de vagina;

O amante completo,

Faz de tudo com a mulher;

A deixa esgotada,

Arriada na cama,

Porém feliz e satisfeita;

Tenho que reconhecer,

Eu não sou assim;

Acabo a encontrar dificuldade,

Em furar o bloqueio,

Em fazer com que ela,

Se acabe em meus braços. 



Escrito por Ivanovitch Medina às 16h11
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   Tornei-me um; BH, 01101001999.

Tornei-me um indomável,

Igual o cavalo bagual, arisco;

Fiz-me uma pessoa rústica,

Contraí hábitos grosseiros;

Abrutalhei-me por mim mesmo,

Acaipirei-me por meus modos;

Tudo em volta de mim,

Fez-me abagualar-me horrivelmente;

Porém, antes do que abaianar-me,

Assemelhar-me aos naturais da Bahia,

Em seus usos e costumes,

E dizer jamais me adaptaria,

Pois trago a Bahia

A fortalecer o meu sangue;

Mas seria literalmente um abaíta,

Um homem ruim aqui no meu lugar;

No meu minerês,

De calça arremendada, abainhada,

De forma a se fazer,

Bainha com linha de cor diferente;

De espírito abaionetado,

Armado de baioneta,

Pronto a disribuir golpes,

Como se estivesse com uma foice;

Que mineiro é assim,

É do modo à antiga,

Já dizia Miguelim,

Do meu irmão Rosa;

Com o abairramento do país,

No princípio do colonialismo,

Com o abairrar da tera,

O dividir em bairros o torrão,

Classificar a população dos lotes,

Das capitanias hereditárias,

O povo não foi mais dono de nada;

A terra ficou na mão do capão

E quem come da terra vermelha,

Nela não pode por a mão,

Apesar de trazê-la no sangue.



Escrito por Ivanovitch Medina às 15h48
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   Trago no peito; BH, 01101001999.

Trago no peito meu,

Um coração abaiucado,

Que se assemelha à baiúca,

De aspecto de botequim de estrada,

Rancho de casa miserável;

Trago aqui um coração,

Cansado de abaiucar de magoado;

Todo mundo entra,

Todo mundo sai,

Cospe no chão,

Joga bagana de cigarro, 

Resto de cachaça,

Deixa-o desarrumado;

E não aparece ninguém,

Para poder arrumar;

Dar uma abaixadela aqui,

Escutá-lo bater,

A pedir socorro;

É o abaixamento cardíaco,

A diminuição da batida;

A abaixadura do som,

De um coração que não quer,

Fazer barulho algum,

Nem quando ver uma mulher;

E inda usa o abaixa-luz,

O aparelho que diminui,

A intensidade da luz de lâmpada,

Quando o sol aparece;

Usa o abaixa-pálpebra,

Agulha destinada a manter,

Baixadas as pálpebras,

Mesmo quando não vai fazer,

Nenhum exame clínico;

Muito estranho este coração,

Que trago aqui no peito meu;

Agora me impõe um abaixa-voz,

Quer calar os atabaques e tantãs,

Das macumbas das encruzilhadas,

Que os negros fazem dentro do meu peito;

É um dossel que cobre o púlpito,

Um abafador para que seja impedido,

De continuar a falar nele;

E deixá-lo enterrado no seio,

Pregado no tronco e esquecido

Num cemitériozinho de encosta.



Escrito por Ivanovitch Medina às 15h02
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   Buraco negro; RJ, 0110801993.

Sou um buraco negro,

Capto tudo que passa ao meu redor;

Só que não transformo em energia,

Não transformo em quasares;

Só absorvo as energias negativas

De toda a humanidade;

Sou um buraco negro,

Totalmente inverso;

A luz também não escapa de mim

E tento encontrá-la a todo momento;

Só que a luz foge,

Foge rápido e ligeira;

É bastante difícil imaginar,

Que a luz expelida,

Pode servir em alguma coisa,

Pode brilhar em algum lugar;

O homen ainda não a atingiu,

O conhecimento é vago no peito

E não pode ser aproveitado;

Sou um buraco negro,

Sem espaço sideral;

Não consigo sugar nada de bom,

Consigo sugar o que não presta;

Não sei fazer a separação

E fico magoado,

Fico enjoado e tonto;

É demais para mim,

Que quero sair do lodo;

Quero levantar e crescer,

E caio quase sempre,

Levado pelo redemoinho.



Escrito por Ivanovitch Medina às 13h57
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   Sou um mineiro: BH, 01101001999.

Sou um mineiro abajoujado,

Mineiro de barro amassado,

Cara amarrotada

E corpo amarfanhado;

Sou um mineiro atoleimado,

Bobo de felicidade,

Aparvalhado de alegria;

Meu abajoujamento,

É por defendeer o abajeru,

Planta rosácea e fruto

E mais conhecida por 

Guajuru ou guajiru;

E ao abajoujar pelas matas,

Árvores e o verde da natureza;

E quero dar aqui uma abalada,

Antes que acabe tudo,

Aqui em nosso estado;

Uma sacudidela na poesia,

Partida para a defesa,

Saída rápida para a solução,

Uma resposta e resolução,

Porque que ninguém faz nada,

Para impedir a fuga precipitada,

Da natureza para a extinção;

Alguém precisa empunhar,

Abaladamente a bandeira,

Dar sacudida a flâmula,

Agitadamente para pedir o fim

Dos cortes e das queimadas;

E quero fazer uma abaladela de sensibilização,

Com abalação de todo coração mineiro,

E abalamento das estruturas,

Com sacudidela nos ânimos,

Comoção para impedir a retirada

Do mineiro do intrior,

Que está a se acabar,

A abandonar o campo,

A porteira e o curral.



Escrito por Ivanovitch Medina às 13h32
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   Fiquei aqui; BH, 01101001999.

Fiquei aqui abaladiço,

Quando passei de trem

E da janela eu vi,

A situação da estação,

À beira da estrada;

É abalável o estado,

Em que se encontra,

A própria população;

É de sujeito a abalar,

O abandono que foi legado,

A nossa tradição de interiorano;

Impressionável o descaso,

Com que é tratado,

O mineiro da roça,

Que desde o tempo do Rosa,

Não melhorou em nada;

É de desespero abalador,

Que abala o coração,

Comove a alma,

Impressiona o espírito,

O boizinho magro e esquelético,

A esperar a morte,

À beira da cerca,

De arame farpado enferrujado;

Se eu tivesse voz,

Abaladoramente pediria,

De modo comovente imploraria,

De maneira a chamar a atenção,

De forma abaladora e impressionante,

Para o carro de boi solitário e agonizante,

O caminhante da poeira,

A árvore surrealista em carvão,

A olharem-me sem uma lagrima para chorar;

É dura a tentativa de uma abaladura,

De um abalamento com efeito,

Em corações frios e imperfeitos. 



Escrito por Ivanovitch Medina às 11h55
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   Veja bem; RJ, 030901987.

Veja bem,

Passa-se meia hora,

Sem entrar alguém,

Na minha loja;

Não consigo vender,

Nem uma bala;

E passa muita gente,

Na frente da loja,

Porém nem olham,

Aqui para dentro;

Também pudera,

Onde é que está,

O dinheiro do povo?

O povo já perdeu

O poder aquisitivo,

O poder de compra e

Não pode adquirir

Nem uma bala;

E acha caro,

Uma caixa de fósforos;

E comércio está ruim,

Já está no fim do dia

E inda não arrecadei,

Uma boa féria;

Deus queira que amanhã,

Seja um dia,

Melhor do que hoje;

Deus queira que eu encontre,

Alguém que queira comprar,

Isto aqui,

Na minha mão,

Para mim não dá mais.



Escrito por Ivanovitch Medina às 11h32
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   Tenho tempo: RJ, 0290501987.

Tenho tempo,

Um tempo inútil,

Para poder procurar,

O que é útil;

Tenho tempo,

Um tempo enorme,

Para poder procurar,

O caminho,

Que devo andar;

Não vou andar,

Vou é rastejar;

Réptil não anda,

Rasteja;

Come pó e poeira,

Pedra e areia;

E digo que tenho tempo,

Serpente vertente;

Cada mordida,

Uma morte;

Cada morte,

Um veneno;

Empresta-me um dia,

Um pouco de tempo,

Quero absorver,

Um pouco de vida,

Viver um pouco,

Em muito tempo;

Tnho tempo

E o tempo não me tem.



Escrito por Ivanovitch Medina às 10h56
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   Estou a me sentir; BH, 01101001999.

Estou a me sentir abalaiado,

Da forma de um balaio;

E pareço um bem cheio,

Com a minha barriga de pneu;

E outra coisa não quis fazer,

A não ser abalaiar o corpo,

De tão cheio e pesado;

Meu andar abalançado,

Aluído ao meu cansaço,

À fadiga do caminho,

À fraqueza por exercício demasiado,

Da doença que é me arrastar,

Sacudido pelas banhas;

Meu balançado não é estimado,

Nada tenho de ousado

E muito menos de atrevido;

Sou só um abalançamento equilibrado,

Para não cair,

Na hora de me locomover;

E abalaustrado de tristeza,

Ornado de balaústre de vergonha,

A verdadeira forma de bolo fofo,

Causa-me abalaustramento de solidão;

A operação de tentar,

Esconder o choro e o pranto,

A lágrima do desencanto é infrutífera;

E guarnecido e abalaustrável

De medo de morrer

E não ter quem queira,

Carregar ataúde tão pesado;

O jeito é abaldear para um guindaste,

Transferir de um veículo comum,

Para uma empilhadeira,

Que carrega containers;

E todo mundo vai querer baldear,

Ninguém está aí para carroça,

Ou burro de carga a carregar,

Peso morto nas costas.



Escrito por Ivanovitch Medina às 09h45
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